Resposta direta
Comprar ágio vale a pena quando o valor do ágio somado ao saldo devedor e aos custos da transferência fica abaixo do preço de um imóvel parecido, e quando você sabe em nome de quem a dívida vai ficar. O maior risco não é o preço: é pagar sem aprovação do banco e ficar anos dependendo do vendedor.
Quando costuma compensar
- Entrada menor do que a de um financiamento novo: o ágio pode ser menor que a entrada exigida pelo banco
- Imóvel pronto, ou obra adiantada, em local que você quer
- Contrato com taxa de juros baixa, quando o banco aceita transferir mantendo as condições (nem sempre acontece)
- Vendedor com pressa, que aceita um ágio abaixo do que já tem no imóvel
Quando costuma não compensar
- Ágio alto demais: somado ao saldo, passa do valor de mercado
- Você não teria aprovação de crédito para assumir o financiamento, e a única saída seria o contrato de gaveta
- Parcelas atrasadas, imóvel com penhora ou vendedor com muitas dívidas e processos
- Imóvel de programa habitacional com restrição de venda prevista no contrato
Faça a conta do custo total
Casa parecida na região custa R$ 300.000. O vendedor pede R$ 70.000 de ágio e o saldo para quitação no banco é de R$ 190.000. Somando os dois, são R$ 260.000. Suponha mais R$ 10.000 entre ITBI, cartório e taxas do banco para a transferência (os valores reais dependem do município, do cartório e do banco). Custo total: R$ 270.000, ou R$ 30.000 abaixo do mercado. Lembre que o saldo de R$ 190.000 é o valor para quitar hoje: pagando as parcelas até o fim, os juros e seguros aumentam bastante o total desembolsado. Use a calculadora de custo do comprador.
Perguntas que importam mais que o preço
- Em nome de quem o financiamento vai ficar? O banco vai analisar e aprovar a transferência?
- Em que condições o banco transfere: mesma taxa ou taxa atual?
- O saldo informado é o do extrato oficial, e as parcelas estão em dia?
- A matrícula mostra alguma penhora ou restrição além da garantia do banco?
- O vendedor é o titular do contrato? Se é casado, o cônjuge vai assinar?
- O contrato diz o que acontece se o banco recusar a transferência?
- O valor do ágio e as parcelas assumidas estão claros e separados?
Comprar ágio é seguro?
Pode ser uma negociação bem documentada ou um atalho arriscado. O caminho mais seguro é a transferência aprovada pelo banco, ou a quitação do saldo com um financiamento no seu nome. Sem isso, você paga, mas não aparece como devedor no banco nem como dono no cartório. Veja riscos da venda de ágio e documentos para conferir.
Perguntas frequentes
Quanto devo pagar de ágio?
Uma referência é o valor de mercado menos o saldo devedor, com desconto pelos custos e riscos. Veja como calcular o ágio.
Posso financiar o valor do ágio?
Em geral, não há financiamento bancário só para o ágio. O caminho mais comum é um financiamento novo do imóvel, calculado sobre o preço total e a avaliação do banco: ele quita o saldo do vendedor e pode cobrir parte do ágio. Com recursos próprios, o comprador paga a entrada exigida pelo banco. As regras e os limites dependem do banco.
Tenho que pagar ITBI?
Quando há transferência formal, em regra sim, conforme a lei do município. Veja ITBI na venda de ágio.
Fontes oficiais
- Lei 9.514/1997 (alienação fiduciária de imóvel)Art. 29: transferência dos direitos do devedor fiduciante com anuência do credor.
- Código Civil (Lei 10.406/2002)Art. 299: assunção de dívida depende do consentimento do credor.
Conteúdo revisado em , conforme a política editorial. Temas jurídicos e fiscais variam conforme o caso, o contrato, a instituição financeira e o município.