Tipos de imóvel

Ágio de apartamento

O ágio de apartamento segue as mesmas regras de qualquer ágio de imóvel, mas o condomínio, a vaga de garagem e, muitas vezes, a construtora trazem cuidados que não aparecem na venda de uma casa ou de um lote.

Resposta direta

Ágio de apartamento é o valor que o comprador paga ao vendedor para ficar com um apartamento que ainda está sendo pago ao banco ou à construtora, passando, conforme o acordo entre as partes, a arcar economicamente com o saldo e as parcelas restantes. A transferência formal da dívida ou dos direitos perante o credor depende da anuência dele, quando exigida (em financiamento com alienação fiduciária, Lei 9.514/1997, art. 29). Além disso, é preciso conferir o condomínio (as dívidas acompanham a unidade), as regras da convenção, a situação da vaga de garagem e, no apartamento na planta, as exigências da construtora.

O que muda em relação a casa e lote

PontoApartamentoCasa ou lote
CondomínioHá despesas condominiais e, normalmente, contribuições periódicas. Dívidas antigas acompanham a unidadeSó quando a casa ou o lote está em condomínio, loteamento fechado ou associação
Regras de usoConvenção e regimento interno (reformas, mudança, animais, locação), dentro dos limites da leiFora de condomínio ou associação, predominam as normas urbanísticas. Dentro deles, pode haver regras privadas adicionais
Vaga de garagemPode ter matrícula própria, ser vinculada ao apartamento ou ser de uso comumNormalmente faz parte do próprio imóvel
Credor mais comumBanco ou construtora (apartamento na planta)Banco ou loteadora

Condomínio: a dívida acompanha o apartamento

Pelo Código Civil, quem adquire a unidade responde pelas dívidas do anterior com o condomínio, inclusive multas e juros (art. 1.345). No ágio, o contrato normalmente não é registrado. Para esses casos, o Superior Tribunal de Justiça fixou no Tema 886 que a posse do comprador e a ciência inequívoca do condomínio são relevantes para definir quem responde, mas atualmente revisa parte dessa questão no Tema 1.349, que discute se vendedor e comprador podem ser cobrados de forma concorrente. Na prática, os dois lados têm interesse em deixar isso resolvido por escrito e quitado antes da entrega das chaves.

  • Peça ao síndico ou à administradora uma declaração de débitos da unidade, com data recente
  • Pergunte se há taxa extra ou chamada de capital aprovada em assembleia e ainda não cobrada
  • Leia as atas das últimas assembleias: obras aprovadas, ações judiciais e reajustes previstos
  • Defina no contrato a data a partir da qual o comprador paga a taxa de condomínio
  • Depois de assinar, comunique a cessão ao condomínio por escrito, para que ele saiba quem ocupa a unidade

Convenção e regimento interno

A convenção e o regimento disciplinam o uso da unidade e das áreas comuns, dentro dos limites da lei: reformas, horário de mudança, animais, uso das áreas comuns e locação por temporada, entre outros pontos. Peça uma cópia antes de fechar, principalmente se o comprador pretende reformar ou alugar. Uma regra que impeça o uso pretendido pode mudar o valor do ágio que faz sentido pagar.

Vaga de garagem

Confira no contrato original e na matrícula como a vaga aparece. Ela pode ser uma unidade com matrícula própria, estar vinculada ao apartamento ou ser uma área comum de uso rotativo, sem vaga fixa. Pelo Código Civil, a vaga não pode ser vendida ou alugada a quem é de fora do condomínio, salvo autorização expressa na convenção (art. 1.331, § 1º). No contrato de ágio, descreva a vaga exatamente como ela está no contrato com o banco ou a construtora.

Apartamento na planta

Quando o apartamento ainda está em obra, o credor é a construtora ou incorporadora. O contrato com ela pode exigir anuência e prever procedimentos e custos administrativos para a cessão, mas a validade e o valor dessa cobrança dependem das circunstâncias e do serviço efetivamente prestado: taxas desproporcionais, como um percentual sobre o contrato sem serviço que o justifique, podem ser questionadas. O saldo costuma ser corrigido por um índice até a entrega das chaves. Veja os detalhes em ágio de imóvel na planta. Confirme também se a incorporação está registrada no Cartório de Registro de Imóveis, exigência da lei de incorporações para a venda das unidades (Lei 4.591/1964, art. 32).

Apartamento financiado pelo banco

Se o apartamento já foi entregue e está financiado, valem as regras do ágio de imóvel financiado: o contrato entre as partes não tira a dívida do nome do vendedor, e a transferência depende da concordância do banco. Veja quando o banco precisa autorizar e como transferir o financiamento.

Exemplo ilustrativo

Um apartamento de dois quartos vale cerca de R$ 380.000. O saldo com o banco é de R$ 250.000 e o vendedor pede R$ 95.000 de ágio. A declaração do condomínio mostra duas taxas atrasadas (R$ 1.300 no total) e uma taxa extra de R$ 2.400, aprovada em assembleia para a pintura do prédio, que será cobrada em 6 meses. As partes combinam por escrito: o vendedor quita as duas taxas atrasadas antes da entrega das chaves, a taxa extra fica com o comprador e o valor dela é descontado do ágio, que fecha em R$ 92.600. A partir do mês da entrega das chaves, o condomínio é do comprador.

Vistoria antes de assinar

  • Infiltrações, janelas, portas, instalações elétricas e hidráulicas
  • Medidores individuais de água e gás, quando houver, e leituras na data da entrega
  • O que fica no apartamento (armários planejados, eletrodomésticos, cortinas): liste no contrato
  • Vaga de garagem, depósito e controles de acesso que serão entregues

E o ágio de casa?

Na casa, as regras do ágio são as mesmas: saldo, credor, contrato e recibos. Os cuidados próprios costumam ser outros: conferir se a construção está averbada na matrícula (quando a matrícula mostra só o terreno, a regularização tem custo e prazo), se há condomínio ou associação de moradores e a situação do IPTU. Se o imóvel for um terreno ou lote, veja ágio de lote.

Perguntas frequentes

Quem paga o condomínio atrasado na venda de ágio?

Entre vendedor e comprador, o contrato pode definir quem ficará economicamente responsável, e o valor pode ser descontado do ágio. Perante o condomínio, porém, essa divisão contratual não necessariamente altera quem pode ser cobrado: a dívida acompanha a unidade (Código Civil, art. 1.345) e, em contrato não registrado, a responsabilidade segue o entendimento do STJ (Tema 886, em revisão no Tema 1.349). Por isso, o mais seguro é quitar o atraso antes da entrega das chaves ou reter o valor até a quitação.

Preciso avisar o síndico sobre a venda do ágio?

Não há um formulário oficial, mas comunicar por escrito ajuda os dois lados: o condomínio passa a saber quem ocupa a unidade e a quem cobrar a partir de quando. Guarde o comprovante da comunicação.

A construtora pode cobrar para passar o apartamento na planta?

O contrato com a construtora pode prever anuência e custos administrativos para a cessão. A cobrança não é automaticamente válida: depende do que o contrato prevê e do serviço prestado, e valores desproporcionais podem ser questionados. Leia o contrato antes de fechar o ágio. Veja ágio de imóvel na planta.

Quanto vale o ágio de um apartamento?

Não existe tabela. Uma referência comum é comparar o valor de mercado com o saldo devedor e descontar custos e riscos. Veja como calcular o ágio ou use a calculadora de ágio.

Fontes oficiais

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